Grupa Galo

“A covid-19 é um rival que mata”

Protestos de médicos e treinadores

O Dia Mundial da Saúde é comemorado no dia 7 de abril desde 1950. A data criada pela Organização Mundial da Saúde tinha como proposta nos fazer debater o estado de saúde e as condições de vida das pessoas ao redor do globo.

Neste momento, em razão da pandemia de Covid-19, abordar o tema se torna essencial em vários aspectos das nossas vidas e, é claro, não poderíamos deixar de falar do futebol.

O esporte mais popular do Brasil teve seus campeonatos suspensos a fim de preservar a integridade física dos atletas. No entanto os campeonatos foram retomados com a realização dos jogos sem torcida e com a garantia de um “protocolo seguro”.

Trata-se de um tema delicado, pois os clubes deixaram de faturar com bilheteria, perderam alguns patrocinadores, encontraram dificuldades para acomodar no calendário todos os eventos esportivos previamente programados, entre outras questões. Ademais, por se tratar de um vírus novo e relativamente desconhecido, não sabemos precisar os efeitos em longo prazo na saúde dos atletas que foram contaminados.

É necessário, também chamar atenção para o que a palavra futebol representa no imaginário popular. Tendemos a associar o esporte a campeonatos milionários, a atletas riquíssimos e a clubes que possuem Centros de Treinamento muito bem estruturados. No entanto os clubes pequenos, que carregam um pedaço da tradição do nosso estado e do nosso país, não contam com os elementos citados anteriormente, por isso enfrentam dificuldades adicionais. Além das suas fontes de receitas serem escassas e de sofrerem com o desemparo histórico de suas Federações estaduais e da CBF, falta interlocução e articulação para a busca de soluções que possam amenizar o impacto ou pelo menos garantir algum fluxo de caixa aos clubes, como explica o advogado especialista em direito desportivo Eduardo Carlezzo.

Em meio a isso, uma pesquisa coordenada pela Universidade de São Paulo mostrou que o índice de infecções pelo vírus causador da Covid-19 em atletas de torneios da Federação Paulista de Futebol na temporada de 2020 é semelhante ao de profissionais de saúde que atuam na linha de frente de combate à pandemia. De acordo com os dados divulgados pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), 11,7% dos jogadores testados tiveram diagnósticos positivos e, entre as equipes de apoio (comissão técnica, dirigentes, funcionários etc), o índice é de 7%.

 

As Federações, em grande parte, insistem que o protocolo é seguro e que os times não ficarão desamparados. Sabemos que estamos vivendo um contexto extraordinário trazido pela pandemia e sabemos que o futebol ocupa um lugar considerável entre nossas paixões, por isso achamos necessário questionar se, neste Dia Mundial da Saúde, as decisões das autoridades desportivas devem se restrigir apenas às questões econômicas.

Quanto a nós, seguimos lutando em defesa da vida e das nossas paixões.

Referência:

MARCONDES, Rafael Marchetti. Os Impactos da Covid-19 nas Relações de Trabalho do Futebol Brasileiro. Revista dos Tribunais. Vol. 1018/2020. Ago 2020.

¹
Disponível em:<http://conselho.saude.gov.br/web_diamundial/index.html> Acesso em 05 Abr 2021.

² Disponível em: < https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2020/03/18/clubes-pequenos-lutam-para-minimizar-os-impactos-do-covid-19-nas-contas.htm> Acesso em 05 Abr 2021.
³  Disponível em < https://globoesporte.globo.com/sp/futebol/campeonato-paulista/noticia/estudo-aponta-que-numero-de-infeccoes-por-covid-no-futebol-paulista-se-assemelha-ao-de-profissionais-da-linha-de-frente.ghtml> Acesso em 05 Abr 2021.


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Autor

  • Membra Grupa, advogada e mestranda em Saúde Pública.


Livea Franco

Membra Grupa, advogada e mestranda em Saúde Pública.

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