Grupa Galo

O Brasil, último país a abolir a escravidão, tem sua história marcada pela violência, exploração e genocídio da população negra. Desde o período escravocrata até os dias de hoje, pouco mudou quanto à construção da representação social do negro. O racismo estrutural vela o que as estatísticas escancaram: o corpo negro é descartável, inferior. E quando se trata do exercício de sua sexualidade, os corpos negros permanecem sendo violados e descartados.

A construção de estereótipos violentos que hiperssexualizam corpos negros é usada em uma lógica racista, escravocrata e machista. Todos nós já ouvimos expressões estereotipadas sobre a “mulata fogosa e insaciável” e ao “negão viril e bem dotado”. A hiperssexualização dos corpos negros exclui a condição do ser como indivíduo que passa a ser visto apenas como um corpo. Corpo este que pode ser usado, abusado e descartado, associado à sexualidade aflorada, ao fetiche, ao desejo e ao imaginário sexual, nada além uma máquina reprodutora voraz não merecedora de amor, cuidado e respeito.

Ao hiperssexualizar corpos negros, mantemos o ciclo de anos de opressão, de estupro e de violência. Perpetuamos uma visão rasa e equivocada que animaliza esses corpos. Visão sustentada pelo racismo e o machismo impregnados em nossa sociedade. A discussão e a reflexão a respeito da hiperssexualização de corpos negros é fundamental para a quebra de paradigmas, de preconceitos e de violências que reverberam as mais nefastas e dolorosas relações de poder. É necessário quebrar e desnaturalizar a estrutura racista que atravessa e desumaniza o cotidiano dos corpos negros para que sejam, enfim, vistos, sentido e amados por inteiro.

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Categorias: News

Ana Miranda

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