Grupa Galo

 

Moreninha, da cor do pecado, exótica
Nunca normal e bonita

Mas é importante quando tem alguém pra dizer:

É a nossa cor

Nosso povo

Nossa pele

Jeanne e Tamires

Minha pele não é retinta. Tenho a cor da miscigenação brasileira. Isso quer dizer que há democracia racial no Brasil?

O conceito do colorismo chama a atenção para os diferentes níveis de preconceito e marginalização sofridos pela população negra, dependendo de quão afrodescendente é sua aparência. Cor, cabelo, formato do nariz, da boca e outras características fenotípicas determinam como as pessoas negras são lidas socialmente.

Entender a complexidade do racismo é fundamental para superá-lo. Com base na ideia de que existe um fenótipo normalizado – o europeu -, ser alto, ter a pele clara e os traços que remetem à raça ariana são condições para ser considerado alguém belo e competente. Nesse sentido, a mistura entre grupos étnico-raciais não criou uma convivência harmoniosa entre os diferentes, mas uma espécie de hierarquização social. Pessoas mais claras, de cabelo mais liso, traços mais finos podem ser mais toleradas em determinados ambientes ou situações.

Mas, por que ter a pele mais clara pode trazer privilégios para a pessoa afrodescendente, se ela não será identificada como branca?


Negra de pele menos retinta, como Vasty Nunes Pereira. FOTO: Vitor Jubini

Porque, mesmo sendo identificada como negra pela sociedade, o que significa que ela não pode desfrutar dos mesmos direitos que uma pessoa branca, ainda assim sua aparência é mais palatável aos olhos da branquitude, de maneira que ela pode ser tolerada em seu meio. Esse é um aspecto muito importante no colorismo: a pessoa negra é tolerada, mas não aceita.

Outro ponto central no debate do colorismo é que ser negro está relacionado com a forma como a pessoa é lida pela sociedade, não apenas a um processo individual de autodeclaração. O apagamento identitário que é causado pelo racismo nas pessoas negras nos afeta de criança até a morte. Por classificar pessoas negras de acordo com seus tons de pele, conferindo a elas oportunidades desiguais, o colorismo faz com que, muitas vezes, pessoas negras de tons de pele mais claros não consigam se ver ou se identificar plenamente como negras, recorrendo a classificações como “moreninho” ou “queimadinho do sol”, expressões usadas para tentar substituir as palavras negro e preto.

É importante que os afrodescendentes de pele mais clara se conscientizem tanto do preconceito que sofrem quanto dos privilégios que têm em relação aos de pele mais escura. E, assim, se conscientizarem como indivíduos que sofrem discriminações por sua aparência física e origem racial.

O conhecimento sobre o que é colorismo, a maneira como ocorre e como podemos trazer identificação racial para o povo negro e pardo – claro ou retinto – é importante principalmente porque, tendo a consciência do contexto no qual estamos inseridos, podemos lutar contra toda a opressão que nos aprisiona. A massacrante maioria do povo brasileiro é de gente preta, mas, ainda assim, o racismo predomina em nosso cotidiano.

Não se trata de uma disputa sobre quais são as opressões mais profundas, mas de entender de que modo o racismo penetra nas nossas vidas, nas relações interpessoais, e como isso se constrói historicamente. Não se pode perder de vista que no Brasil, empregos subalternos, o trabalho doméstico, os presídios têm a cor da minha pele.

Dessa forma, conhecimento é poder, principalmente para lutar contra o racismo. O justo: todo poder ao povo negro.

FOTO: Pixabay

Eu sou a menina que nasceu sem cor

porque eu nasci num país sem memória, com amnésia

que apaga da historia todos os seus símbolos de resistência negra

que embranquece a sua população e trajetória a cada brecha

que faz da redenção de Can a sua obra prima […]

O colorismo é uma política de embranquecimento do Estado

que por muito tempo fez com que eu odiasse

os traços genéticos do meu pai herdados

me odiasse

me mutilasse

meu cabelo alisasse.[…]

Por muito tempo eu fui a menina que nasceu sem cor

mas um dia gritaram-me: NEGRA. E eu respondi.

Midria – A menina que nasceu sem cor [Fragmento]

REFERÊNCIAS

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42033002

https://www.almapreta.com/editorias/realidade/precisamos-falar-sobre-colorismo

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/06/04/O-que-%C3%A9-colorismo.-E-a-discuss%C3%A3o-sobre-quem-deve-interpretar-Ivone-Lara

 

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Autor

  • Membra Grupa, advogada, estudante de Pedagogia, militante pelos direitos de minorias marginalizadas, do movimento feminista e movimento negro.

  • Membra Grupa, mestra em Economia e professora de Matemática.


Jeanne Moreira Alves

Membra Grupa, advogada, estudante de Pedagogia, militante pelos direitos de minorias marginalizadas, do movimento feminista e movimento negro.

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