Grupa Galo

O Dia da Visibilidade Trans começa com o lançamento da campanha do Ministério da Saúde para promover o respeito e a cidadania às travestis e transexuais. A campanha “Travesti e Respeito”, lançada em 29 de janeiro de 2004, foi criada em parceria com o movimento de travestis e transgêneros do Brasil e é considerada a primeira iniciativa nacional antifobia do país.

O esporte é um instrumento de manifestação social da população e difundido entre suas diversas modalidades e ocupações ao longo da história. Além disso, o direito ao esporte é tratado de acordo com a constituição e tem o status de direitos humanos no cenário internacional. Porém, ainda existe uma divisão binária de gênero que ainda é polêmica e impede a inclusão de pessoas transgêneras feminino x masculino. Hoje, a discussão sobre gênero e sexualidade é muito mais ramificada na sociedade, seja por meio dos estudos acadêmicos, do movimento militante ou da representação social emergente. Assim, a inclusão social de uma pessoa transexual no esporte ainda suscita dúvidas quanto às diferenças biológicas que essa identidade pode causar, e essas dúvidas se refletem no cotidiano.

As discussões sobre a inclusão de pessoas trans no esporte ainda são muito polêmicas, também pela pouca literatura e pesquisas sobre o assunto. É muito importante para os transexuais ver que os atletas trans ganham espaço, mesmo que pouco. No Brasil, o país que mais mata transexuais e travestis no mundo, observamos a atleta Tifanny Abreu, que defende o SESI em quadra, e foi a primeira mulher trans a disputar uma partida oficial da Superliga, o campeonato de vôlei mais importante do país. Pelo futebol, temos a Sheilla Souza, 21, da equipe da Desportiva Lusaca, que é a primeira transgênera a atuar no futebol feminino profissional no Brasil.

Sheila Souza do Lusaca da BA

Em todo o mundo, esse tema divide opiniões. Muito se discute sobre as supostas vantagens dos transatletas nas competições femininas. Isso ocorre porque a maioria deles se desenvolveu durante muito tempo como homens, produzindo naturalmente grandes quantidades do hormônio masculino. A produção natural da testosterona, o hormônio masculino, resulta em um desenvolvimento do corpo diferente do das mulheres não trans: altura, força física e impulsos, eficiência pulmonar e cardíaca – o que, dentro de pistas, quadras, piscinas, ringues e tatames pode ser uma grande vantagem.

Hannah Mouncey, atleta transexual

Não há evidências científicas de que os atletas transgêneros tenham alguma vantagem real sobre os atletas do gênero cis – nome dado àqueles que mantêm o gênero biológico com o qual nasceram. Por isso, e na busca pela inclusão de gênero na sociedade e no esporte, o Comitê Olímpico Internacional – COI passou a permitir que mulheres transexuais competissem na categoria feminina com mulheres não transexuais, mas somente com a condição de que elas tivessem um índice de testosterona abaixo de 10 nmol / L (nanomoles por litro de sangue) por pelo menos 12 meses antes da primeira competição. Para ter um parâmetro, o índice de Tiffany é 0,2 nmol / L. Por outro lado, uma das grandes funções do esporte é promover a integração social ou de gênero.

Não há dúvida de que os transgêneros devem fazer parte do cenário esportivo profissional participando das competições mais importantes do mundo, assim como os atletas cis não podem ser prejudicados por possíveis desequilíbrios causados ​​pelos transgêneros. É necessário buscar o equilíbrio e criar normas que respeitem tanto os princípios quanto a igualdade e inclusão. Usar a criatividade para criar critérios que irão aumentar a participação de atletas transgêneros, não causar sua segregação, e minimizar qualquer perda para atletas não transgêneros. Claro que não é uma questão simples, mas uma coisa é certa: o esporte é para todos, e o estado e o setor esportivo devem encontrar soluções para que isso seja possível.

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Categorias: News

Alicia Salles

Graduanda em psicologia, membra Grupa

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