Além das 4 linhas

Tecendo o amanhã

foto: reprodução do Facebook

por Luara Ramos

“Um galo sozinho não tece uma manhã
ele precisará sempre de outros galos…”
(Tecendo a manhã – João Cabral de Melo Neto)

Após as conquistas memoráveis de 2013/2014 e o fenômeno de “arenização” do futebol brasileiro é possível notar uma mudança nas torcidas. Os torcedores outrora fieis e apaixonados se transformaram em “consumidores de futebol”. Exigem resultados bradando as cifras dos salários dos jogadores como o motivo único que deve fazê-los render em campo. Nada tem menos a ver com o jogo e não quero aqui parecer uma romântica ingênua, mas se em tempos de “gestão” dos clubes de futebol esse discurso de apoio incondicional parece ultrapassado, da mesma forma os números frios não parecem adequados para explicar qualquer coisa que ocorra entre as quatro linhas.

É recorrente ouvir que a Massa perdeu sua essência e que já não apoia mais como antes. De fato parece que parte daquela mística que encantava na mesma proporção que amedrontava os adversários se transformou numa arrogância que às vezes se parece com o outro lado da lagoa. Como o futebol não está alheio ao que acontece no Brasil e no mundo, vivemos provavelmente a pior crise de nossa história e entidades têm seus status mais contestados do que nunca.

Mesmo com o jogo em andamento, tudo parece caminhar para a vitória do neoliberalismo e seu discurso individualista, que no campo de futebol é expresso pelos torcedores-clientes com seus cartões de sócio mais caros que a renda de milhares de trabalhadores brasileiros que voltaram novamente pra miséria e o desemprego.

A crise em todos os espaços deste país é, antes de tudo, institucional e a única forma de retomar o espírito da torcida do GALO que nos levou a títulos inesquecíveis movidos a fé é que a própria Massa retome se papel de direito nas decisões do clube assim como o povo deve fazer em todo o Brasil. Só se resolve uma crise de representação com mais democracia e participação e é por isso que é preciso que a nossa torcida tenha a coragem de dar um passo ainda mais ousado que a garantia do nosso terreiro. Precisamos garantir que não apenas nosso canto, mas a nossa voz seja ouvida e respeitada.

A falta de uma oposição séria resultou em gestões que afastaram os torcedores. O “planejamento” de 2018 se mostrou um verdadeiro desrespeito. Políticos de carreira e oportunistas de toda espécie tratam o GALO como uma capitania hereditária se esquecendo de seu principal patrimônio: a Massa. Um time não pode existir sem uma torcida e por isso temos direito a disputar posições e debater seriamente as questões do Clube Atlético Mineiro. É chegada a hora de formamos uma oposição popular cujo único interesse seja tornar o GALO cada vez maior.

Pela retomada dos ingressos a preços acessíveis, pelo direito ao voto para os sócio-torcedores e mais transparência na gestão do Clube. Sem golpe, as diretas já do GALO precisam começar agora!

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